Bom Jardim na mira da justiça
Acusado de diversas práticas desonestas, o prefeito Cleudes Bernardes, Baré, virou réu em dois processos no Ministério Público e pode perder o mandato. Ele é investigado em outros seis inquéritos instaurados pela promotora de Justiça Vânia Marçal
Baré, Excelência em Corrupção!
Fraudes em licitações, fraude na contratação de empresa de limpeza urbana, negociatas com empreiteiras, recebimento indevido de diárias, pagamentos duplicados de notas de empenho e nepotismo são algumas das graves denúncias que pesam contra o prefeito de Bom Jardim de Goiás, Cleudes Bernardes da Costa, Baré (PSDB).
O ex-cabeleireiro Baré afundou a cidade no mar de lama da corrupção, mas o castigo veio a galope. Ele virou cliente vip do Ministério Público, onde é investigado em seis inquéritos civis públicos e denunciado como réu em duas ações por improbidade administrativa.
Nos dois processos por improbidade, já protocolados no Judiciário, a promotora Vânia Marçal, da Comarca de Justiça de Aragarças, requer a cassação do mandato do tucano Baré a suspensão dos seus direitos políticos, dentre outras punições.
Escandalosamente, apesar da quantidade de denúncias de maracutaias contra Baré, ele assumiu em março do ano passado a presidência da Associação dos Municípios do Médio Araguaia – AMMA. A posse teve direito até as presenças do democrata Demóstenes Torres e do tucano Marconi Perillo.
O coronel da roubalheira só não contava com a disposição da brava, e independente, promotora de Justiça Vânia Marçal. Imbuída no firme propósito de por fim a corrupção em Bom Jardim, ela já declarou que tal missão só é possível com o afastamento definitivo de Baré da prefeitura.
Baré está em maus lenções. Basta relembrar que a promotora Vânia Marçal desarticulou e prendeu um grupo de extermínio que havia na Polícia Militar de Aragarças e conseguiu a prisão temporária do ex-prefeito José Elias no mandato passado.
Quadrilha na prefeitura
Aparecem como réus ao lado de Baré nas duas ações civis públicas propostas por Vânia Marçal – uma por falcatrua com empresa de limpeza e outra por recebimento indevido de diárias –, o vice-prefeito e secretário de Obras, Edson Alves da Silveira, a secretária de Finanças, Maria Auxiliadora Magalhães Silva, a empresa José Humberto Pereira-ME e o seu proprietário, José Humberto Pereira.
A promotora Vânia Marçal começou a faxina política em Bom Jardim depois que recebeu um vasto dossiê das corrupções praticadas por Baré e o grupo que, sob o comando dele, subjugou o município a toda modalidade de falcatruas. As denúncias foram feitas ao MPE pelo ex-controlador interno da prefeitura, Uillan Gomes de Santana Lopes de Sousa.
Foi Uillan quem delatou todas as artimanhas que Baré praticou para desviar dinheiro público. Na ação, a promotora pede o afastamento dos envolvidos dos cargos públicos. Embasada na provas conseguidas com as investigações, Vânia Marçal afirma que Baré transformou a prefeitura em lavanderia do dinheiro público.
O Ministério Público quer todos os réus, incluindo Baré, fora dos cargos. Também ingressou com pedido de liminar para bloquear os bens dos envolvidos e requer ainda a devolução das verbas desviadas dos cofres do município.
O lixo usado para desviar
Até com o lixo de Bom Jardim, Baré faz maracutaia. Vânia Marçal comprovou que ele pagou duas vezes a empresa de limpeza urbana José Humberto Perreira – ME pelo mesmo serviço. Só com essa fraude, a prefeitura amargou prejuízo de R$ 309 mil reais. Haja fôlego para tanta corrupção.
O MPE descobriu ainda que a empreiteira não possui sequer um escritório em Bom Jardim. No endereço repassado a promotora Vânia, existe apenas a casa do “dono” do empreendimento que, diga-se de passagem, é pedreiro!
Afora o caso do lixo transformado em mais uma forma de desviar dinheiro da prefeitura, a promotora Vânia investiga denúncias de nepotismo, pagamento indevido de 13º salário e retenção do dinheiro que deveria ter sido ser repassado para o Fundo Municipal de Saúde.
Na Ação, a promotora pede que seja decretado o fim da negociata com a empresa de limpeza urbana e a devolução aos cofres públicos do dinheiro pago a ela indevidamente. Outra forma que Baré encontrou para se locupletar com o dinheiro do povo é empregando parentes e apaniguados políticos na prefeitura.
Nepotismo
A Tesoureira da prefeitura é cunhada de Baré; o presidente do Instituto de Previdência Própria é casado com a irmã de Baré, a prefeitura compra em panificadora da cunhada de Baré e compra no supermercado do cunhado de Baré.
Se o Judiciário acatar as Ações do Ministério Público e condenar Baré, ele nunca mais volta a vida pública. Não se elege mais nem a síndico de prédio velho.
Um das dificuldades da promotora em concluir todos os inquéritos é que, segundo ela, Baré e o grupo dele estão tentando criar, esconder e modificar provas. Contudo, superar obstáculos é uma das características mais marcantes de Vânia Marçal. Ela não cedeu nem quando bandidos atearam fogo no Fórum, na tentativa de faze-la parar com a sua missão de defender os interesses da coletividade. Com Baré não será diferente
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